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«Meio no Meio» assinado pelo coreógrafo Victor Hugo Pontes – fruto de um processo criativo, e colaborativo –,  partilha o pulsar de um «corpo» coletivo singular, estruturado pela diversidade de corpos que vibram no ritmo contagiante da música dos Throes + The Shine.

Este eletrizante projeto, surge de um trabalho desenvolvido a partir de formações artísticas – teatro, dança, cinema, artes plásticas, etc. –, em diferentes localidades,  promovido pela Artemrede (plataforma de cooperação cultural, que incentiva a criação artística em mediação com o território), neste caso, nos municípios do Barreiro, de Almada, da Moita e de Lisboa. Ao fim de, quase, 3 anos, e entre várias horas de labora, de convivência e até de interrupções, nasce o espetáculo do «meio».

Alegria. Beny. Dúnia. João. Dina. Luís. Maria. Mavá. Nérida. Paulo. Ricardo. Rolaisa. Si. Teresa. Valter. Yana. – são os destemidos que, afirmativamente, respondem: presente, à chamada de Victor Hugo.

Nesta peça é difícil não nos sentirmos representados, implicados – mesmo invadidos de uma vontade de saltar da plateia para o palco e dançar –, cúmplices das linhas biográficas daqueles que desenham e protagonizam, com verdade, uma coreografia tão singela e vibrante. É no movimento, e no espaço vazio, entre capítulos, que este bailado se faz existir. Escreve-se nos momentos entre,  contaminado pela ação do passado – a memória –, e pelo entusiasmo de viver o futuro. Trata-se de um verbo que se conjuga no tempo presente do indicativo.

«Meio no Meio» é claramente um lugar de encontro, genuíno, sem fronteiras e aceitando os limites, onde se integram as particularidades – quer sejam as fragilidades, os virtuosismos e/ou as meras trivialidades – de cada um dos intérpretes, também co-autores, desta partitura híbrida, onde o gesto acontece pela multiplicidade de expressões. «Meio no Meio» agrega, e configura-se pela ideia de «relação», exponenciada pelo produto de uma multiplicação complexa, por ser demasiadamente humana.

O termo «relação», nesta proposta, assume-se como significado e significante, dado que é factor determinante na sustentação da peça, pelo entendimento óbvio e pela própria ação de se relacionar. «Meio no Meio» é assertivamente relação, brota na invisibilidade, à medida que se constrói a confiança entre todos, e apresenta-se sem manigâncias. É nobre até nas suas imperfeições. [Diria mesmo, sublime; tal se revelou o desafio em explanar por palavras o que testemunhei.]

Há vivências que não se explicam, nem se deliberam intelectualmente, são raros momentos que simplesmente se experienciam, como é exemplo esta obra: (…) passa-se antes de começar – frase que se ouve, mais que uma vez, durante o espetáculo –, sendo assim imperativo desfrutar, ou caso contrário, escapa-se-nos a possibilidade de viver.

 

«MEIO NO MEIO» | Direção Artística VICTOR HUGO PONTES | Texto JOANA CRAVEIRO | Interpretação ALEGRIA GOMES, BENEDITO JOSÉ, DÚNIA SEMEDO, JOÃO PATACO, LEOPOLDINA FÉLIX, LUÍS NUNES, MARIA AUGUSTA FERREIRA, MAVATIKU JOSÉ, NÉRIDA RODRIGUES, PAULO MOTA, RICARDO CARDOSO TEIXEIRA, ROLAISA EMBALÓ, SIDOLFI KATENDI, TERESA AMARAL, VALTER FERNANDES e YANA SUSLOVETS | Cenografia F. RIBEIRO | Música MARCO CASTRO e IGOR DOMINGUES \ Throes + The Shine | Direção técnica e Desenho de luz WILMA MOUTINHO | Figurinos CATARINA PÉ-CURTO e VICTOR HUGO PONTES | Vídeo MARIA REMÉDIO | Apoio Dramatúrgico MADALENA ALFAIA | Direção de Produção JOANA VENTURA | Produção Executiva MARIANA LOURENÇO | Co-Produção NOME PRÓPRIO, ARTEMREDE e SÃO LUIZ TEATRO MUNICIPAL | Fotografia VERA MARMELO