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Atrevo-me a usar uma expressão à marialva para nomear e descrever o teatro, teatrinho, teatrada, canastrice pegada que tanto se faz por cá, do qual não gosto especialmente (para não confessar que é mau) mas que por uma questão democrática da cultura e educação devem sobreviver e existir como referência ou estética performativa. Exemplo vivo e a comemorar 25 anos (no auge da adolescência) é a assinatura física e inconfundível  do Meridional que mora na Rua do Açúcar ministrado por Miguel Seabra.

Durante este ano de festa, as reposições seguem-se umas às outras, em cena até 01 Outubro “As Centenárias”, ótima imagem para adjetivar grande parte do teatro português.

Conta a história de 2 velhas carpideiras brasileiras da província, a chorar a morte dos outros para poder comer. O que tem graça nos primeiros 40 minutos transforma-se em tédio esticado por não se abdicar do que é normativo, a peça tem de pelo menos terminar ou concluir-se. Moral teatral (e em Portugal), deixa de ter interesse aos 60 minutos, antes sem fim do que enfim…  Ressalvem-se as belíssimas interpretações das atrizes Sílvia Filipe e Flávia Gusmão que arrancam algumas gargalhadas pelo boneco inteiro tão bem encarnado (reduzia apenas a excessiva caracterização). Porque há bonecos em que se acredita, não é o caso dos múltiplos desarranjados num veste e despe da Catarina Guerreiro.

Tanto a encenação como a cenografia têm pó, receita da avó. Funciona mas não impressiona. O género é a comédia a tocar em assuntos delicados sem solução, a morte, perda sem retorno. Chorar não é remédio, só que alivia a dor e enche a barriga destas velhas (Socorro e Zaninha).

Exatamente como o que se passa no panorama artístico deste canto da Europa. Não há urgência nem novidade, não se arrisca só se risca. Hoje o nosso teatro ainda subsiste na qualidade de reportório, estrutura onde sobressaem os atores, o seu desempenho, para o bem e para o mal.

Entretém sem aspiração de não ser o que é.

 

«AS CENTENÁRIAS» | Teatro Meridional (Lisboa) | 13 Setembro a 1 Outubro, 2017 | Texto: NEWTON MORENO | Encenação e Dramaturgia: NATÁLIA LUIZA | Interpretação: CATARINA GUEREIRO, FLÁVIA GUSMÃO e SÍLVIA FILIPE | Cenografia e Figurinos: MARTA CARREIRAS | Música e Som: RUI REBELO | Desenho de Luz: MIGUEL SEABRA | Assistência de Encenação: ROSINDA CARVALHO | Assistência Técnica: MARCO FONSECA e NUNO FIGUEIRA | Fotografia NUNO FIGUEIRA | Assistência de Produção: SUSANA MONTEIRO | Produção Executiva: RITA CONDUTO